A importância de desenvolvermos a autonomia moral e intelectual em nossas crianças.

A importância de desenvolvermos a autonomia moral e intelectual em nossas crianças.

 

autonomia

Muitos pais em nossos atendimentos questionam quando chegará o momento em que não precisará mais estar intermediando o filho em suas ações, como por exemplo, nas tarefas de casa, na leitura de um livro, no estudar para avaliações. Enfim são essas e tantas outras perguntas que tangem num ponto essencial para a formação do ser humano, a AUTONOMIA, é sobre ela e suas fases que iremos refletir neste texto.

Segundo o dicionário Aurélio, autonomia é: faculdade de se governar por si mesmo. Para Piaget (1896- 1980), autonomia significa a capacidade de decidir por si próprio entre o certo e o errado na esfera moral e entre verdade e inverdade na esfera intelectual, levando em conta fatores relevantes, independentemente de recompensa e punição. Mas para que o indivíduo consiga se governar é necessário que antes ele possa experimentar as consequências de suas ações ou não ações.

Muitas vezes caímos na tentação de ceder a um pedido das crianças e nem sempre avaliamos o que realmente elas já sabem fazer sozinhas.

As possibilidades de se trabalhar a favor da autonomia são inúmeras e devem ser iniciadas nas crianças ainda pequenas. O simples fato que ela se arraste para alcançar seu brinquedo, pedir pela água antes de tê-la nas mãos, calçar os sapatos, entrar na escola sozinha, dar um recado à professora, dizer a um amigo que não gostou de tal atitude é passos primordiais na conquista da autonomia. Precisamos acreditar que as crianças podem muitas coisas, e muitas vezes é preciso deixar que elas possam agir por si e aprendam ao longo do tempo que a autonomia nos torna adolescentes e adultos mais fortes, seguros e confiantes, capazes de fazerem suas próprias escolhas, e assumirem as consequências positivas e negativas das mesmas.

Toda vez que fizermos uma tarefa por alguém ou tomarmos a decisão pelo outro, algo que essa pessoa poderia fazer de forma autônoma, é possível que ela receba uma mensagem de incapacidade, ou ainda que ela se torne mais facilmente manipulável e até mesmo acomodada. Agindo dessa forma estaremos contribuindo para o desenvolvimento da heteronomia, que é o contrário da autonomia. Na heteronomia teremos indivíduos passivos, sem capacidade crítica e reflexiva, incapaz de criar hipóteses e fazer escolhas.

Piaget  defende que é de suma importância oferecer ao indivíduo a liberdade para optar e decidir,  pois assim poderá cooperar voluntariamente com os outros, construindo um sistema moral e intelectual de valores e convicções.

“A autonomia é um poder que não se conquista senão de dentro e que não se exerce senão do seio da cooperação”.

Vamos nos encher de coragem e permitir que as nossas crianças e adolescentes corram os riscos de crescerem e se tornarem melhores e mais autônomos!

 

Por Karina Gardin Amaral

(Pedagoga, Psicopedagoga, Mestre em Educação e Coordenadora Pedagógica Colégio PoliBrasil)

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